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Tubarão com pata: a espécie que anda no fundo do mar surpreende até os cientistas

Pesquisa desafia ideia de que reprodução sempre exige mais energia

Pesquisadores identificaram que os tubarões-epaulette conseguem botar ovos sem qualquer aumento mensurável no gasto de energia, contrariando um dos princípios mais aceitos sobre reprodução animal.

A descoberta foi feita por cientistas da Universidade James Cook, na Austrália, ao acompanhar de perto o metabolismo da espécie durante seu curto ciclo reprodutivo.

Conhecido por “andar” pelo fundo raso dos recifes, o tubarão-epaulette agora chama atenção por um sistema fisiológico altamente eficiente.

O que surpreendeu os pesquisadores

A reprodução costuma ser considerada o maior investimento energético de um animal. Produzir um ovo envolve a formação de estruturas complexas e consumo elevado de recursos internos.

Por isso, a equipe esperava um aumento claro no metabolismo das fêmeas durante a postura. Esse aumento, porém, não aconteceu.

“Este trabalho desafia a narrativa de que a reprodução é a primeira função a ser comprometida quando algo dá errado”, afirmou a professora Jodie Rummer.

Os cientistas monitoraram cinco fêmeas antes, durante e depois da formação das cápsulas de ovos, acompanhando todo o processo reprodutivo.

As medições ocorreram em tanques com temperatura controlada, permitindo observar variações mínimas no consumo de oxigênio, indicador direto da taxa metabólica.

Além disso, foram analisados os níveis hormonais e a química do sangue, que permaneceram notavelmente estáveis.

Resistência ao aquecimento dos oceanos

Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores destacam que ainda é preciso entender até que ponto a espécie consegue resistir ao aumento da temperatura dos oceanos.

Mesmo assim, a capacidade de manter a reprodução sob estresse ambiental indica um nível de resiliência raro entre animais marinhos.

Segundo os cientistas, essa característica pode ajudar a explicar por que o tubarão-epaulette consegue sobreviver em ambientes de recife sujeitos a variações extremas.

Fonte: Correio 24h

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