Fux suspende decisão de Dino sobre posts de Nossa Senhora Aparecida
Luiz Fux suspendeu os efeitos da decisão de Flávio Dino que havia liberado publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. Com isso, volta a valer, por enquanto, a ordem do TSE para retirar conteúdos considerados falsos sobre Flávio Bolsonaro e a padroeira do Brasil

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta terça-feira (29) os efeitos da decisão de Flávio Dino que havia liberado novamente publicações nas redes sociais sobre Nossa Senhora Aparecida e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Na prática, a medida de Fux restabelece, por enquanto, a ordem dada pelo ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para que plataformas retirem conteúdos que afirmam que Flávio Bolsonaro pretende acabar com o título de padroeira do Brasil concedido a Nossa Senhora Aparecida. A informação foi considerada “notoriamente inverídica” por Mendonça.
A decisão de Fux não anula definitivamente o entendimento de Dino. Ela suspende seus efeitos até que o plenário do Supremo analise a controvérsia. O presidente do STF, Edson Fachin, deve levar o caso para julgamento pelos ministros.
Entenda a disputa
A polêmica começou depois que passaram a circular nas redes sociais publicações afirmando que Flávio Bolsonaro retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil caso fosse eleito presidente.
A campanha do senador acionou o TSE alegando que a informação era falsa e poderia causar prejuízo eleitoral. Na sexta-feira (25), André Mendonça determinou a remoção das postagens e ordenou que as plataformas adotassem medidas para impedir a circulação dos conteúdos apontados como falsos.
No domingo (27), entretanto, Flávio Dino suspendeu a ordem do TSE. Para o ministro do STF, algumas das publicações atingidas não apresentavam grau de ilicitude suficientemente claro para justificar uma restrição tão severa à liberdade de expressão e à liberdade religiosa.
Dino analisou um pedido apresentado pelo ator e humorista Antônio Tabet, um dos perfis atingidos pela decisão de Mendonça. O requerimento foi protocolado em um processo que já tramitava no gabinete do ministro e originalmente tratava de outro tema.
Fux volta a mandar retirar publicações
Após a decisão de Dino, a campanha de Flávio Bolsonaro recorreu a Luiz Fux e pediu que o ministro impedisse seus efeitos.
Fux acolheu o pedido e determinou novamente a suspensão das publicações. Segundo a decisão, a proximidade do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, exige cautela diante de conteúdos que possam interferir na legitimidade e na normalidade do processo eleitoral.
As plataformas terão de cumprir a determinação judicial enquanto o caso não for analisado pelo conjunto dos ministros do Supremo.
Caso aumentou tensão entre STF e TSE
A sucessão de decisões contraditórias também ampliou a tensão entre integrantes do STF e do TSE.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, manifestou preocupação com o que considera interferências de ministros do Supremo em decisões da Justiça Eleitoral. Ele se reuniu com Edson Fachin para discutir mecanismos que preservem as competências das duas cortes e reduzam a insegurança jurídica durante o período eleitoral.
Outro ponto levantado por Kassio foi a forma como determinados pedidos chegam a processos já existentes no STF e, consequentemente, aos gabinetes de ministros específicos. Dino e outros integrantes da Corte sustentam que a distribuição é feita pela secretaria judiciária e que pedidos relacionados a temas de processos anteriores podem ser analisados pelos respectivos relatores.
A palavra final sobre a permanência ou a retirada das publicações deverá agora ser dada pelo plenário do Supremo.
Fonte: Notícias ao Minuto




Comentários no Facebook