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Beatriz Vitória, encontrada morta após 12 dias desaparecida, estaria grávida de três meses

A jovem teria feito um teste de gravidez pouco antes do desaparecimento e família acredita que filho seria do ex-namorado preso pela morte dela

Enquanto esperava a liberação do corpo da irmã Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, ser liberado e enviado ao Instituto Médico-Legal (IML), Maxwell Sérgio Marques Mota, 29, tentava se apegar às lembranças de quem ela efetivamente era para ele: a menina alegre, de sobrancelhas grossas, amante de festas e música sertaneja. Inconformado, ele se recusa a deixar na mente aquilo que foi forçado a ver, na tarde desta quarta-feira (21 de outubro) ao ser chamado pelos investigadores para confirmar se aquela mulher enterrada em uma cova rasa, em elevado grau de decomposição, era mesmo ela. A comprovação da morte veio pouco depois dele descobrir que ela carregava uma vida. Pouco antes do desaparecimento, a vítima teria descoberto estar grávida.

“Minha irmã mais nova falou que a Beatriz fez uns testes de gravidez e um deu positivo. Ela estaria grávida de uns três meses e há chances de ser do ex-namorado dela, que foi preso por ser suspeito de ter feito isso com ela. Estamos todos muito tristes”, disse Maxwell.

Quando o telefone dele tocou mais cedo, após 12 dias de espera por notícias da irmã, Maxwell desejou com todas as forças que ela estivesse viva. Mas, ao ver as imagens do corpo dela pela fotografia recebida, não restavam dúvidas: as roupas, a capinha do celular e o chinelo eram dela. Mesmo assim, com todas as evidências, ele buscou a ajuda do atual namorado da irmã, Yuri Gabriel Guedes Lopes, que, garantiu: aquela tatuagem de pena na parte interna da coxa da vítima era inconfundível. “A gente tinha muita esperança dela estar viva”, lamentou Yuri, em conversa com a reportagem.

Yuri iniciou um relacionamento com Beatriz Vitória há cerca de quatro semanas. Tempo suficiente para saber sobre o tamanho da solidariedade da jovem. “Ela era capaz de doar o mundo se pudesse. Era uma menina muito humilde e pronta para ajudar”, conta. Nesse curto período de relacionamento ele também teve informações suficientes sobre o péssimo convívio mantido entre a jovem e o ex-namorado, Samuel Castro, de 18 anos, preso nesta quarta-feira, suspeito de ser o autor do crime. “Ela já me contou o quanto era humilhada por ele quando namoravam. Em uma situação, ele chegou a bater nela. Os dois estavam no quarto quando ele a agrediu”, relata.

A atual namorada de Samuel, Carla Luiza da Silva, de 23 anos, também foi levada para a delegacia. No momento da prisão, ela teria admitido informalmente aos policiais ter participado do crime, segundo uma fonte ligada às investigações. “A Beatriz me falou várias vezes que ela e a Carla não se bicavam por conta do Samuel. A Carla tinha muito ciúmes, passava em frente ao trabalho dela afrontando, quando encontrava em festas encarava. Ela provocava de todo jeito”, completa.

Problemas que Beatriz teria vivido sem compartilhar com a família, segundo Maxwell. “Eu só fui saber que o Samuel tinha agredido ela dentro de casa depois que ela já estava desaparecida”, conta. Apesar das informações, os dois não quiseram acusar ninguém pelo assassinato. Ambos têm esperança de que a justiça será feita. E essa nem era a maior preocupação deles no momento em que conversavam com a reportagem, por volta de 18h50, quando ainda estavam no lote onde o corpo da Beatriz foi enterrado.

Ali, em uma área distante do centro da cidade e com estrada de chão, eles só conseguiam desejar que aquele momento de dor extrema passasse logo. Ainda sem saber quanto tempo vai demorar para o corpo ser liberado para que ocorram as últimas homenagens, uma vez que ainda seria levado ao IML, eles só conseguiam chorar e lamentar o que não poderão mais viver ao lado da jovem e, quem sabe, com o bebê que poderia vir ao mundo daqui uns meses. Duas vidas interrompidas por motivos que ainda serão apurados.

Em outro ponto de Jaboticatubas, na região metropolitana de BH, na casa onde Beatriz vivia com a mãe e duas irmãs, de 15 e 22 anos, o resto da família chora o desfecho trágico dessa história. “Estão todos arrasados”, resume Maxwell aos prantos antes de desligar o telefone.

Fonte: O tempo

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