Aliados de primeira hora de Marcos Rocha deixam campanha por aproximação do candidato com o MDB

Em entrevista coletiva onde disparou críticas, fez desabafos, agradeceu a votação recebida e chegou a interromper o discurso para conter as lágrimas, o empresário Jaime Bagattoli oficializou publicamente o desembarque da candidatura de Marcos Rocha.

Foto: Divulgação
Anúncio

O PSL está rachado em Rondônia com a aproximação do MDB à candidatura de Marcos Rocha, que disputa o 2º turno com Expedito Júnior. A cúpula da legenda até tentou demonstrar unidade, quando na sexta-feira, convocou jornalistas para anunciar a coordenação da campanha. Mas já no dia seguinte, o secretário-geral João Cipriano Nascimento, que era coordenador geral da campanha de Marcos, publicou vídeo dando início a uma debandada.

Já neste domingo, em Vilhena, ficou claro que a saída dos dirigentes aconteceu em razão da aproximação do candidato do PSL com o grupo de seu ex-chefe, Confúcio Moura e também com o senador Valdir Raupp.




Em entrevista coletiva onde disparou críticas, fez desabafos, agradeceu a votação recebida e chegou a interromper o discurso para conter as lágrimas, o empresário Jaime Bagattoli oficializou publicamente o desembarque da candidatura de Marcos Rocha.

Logo de início, Bagattoli deixou claro que o gesto é uma reação ao correligionário, que segundo ele, sequer atender suas ligações e também ignora até mesmo os deputados eleitos pela legenda: Coronel Chrisóstomo (federal) Eyder Brasil (estadual). “Se ele não me quer em sua campanha, não vou atrapalhar”.
Durante a coletiva, Jaime repetia a necessidade de eleger Bolsonaro presidente, mas não mencionava seu colega de partido no Estado, que considera ingrato, lembrando que ele só está no 2º turno por uma ação sua: “Fui eu quem convenci o empresário Zé Jodan, de Rolim de Moura, a desistir de concorrer a governador, abrindo espaço para o Marcos Rocha. E até hoje me arrependo disso”.

O vilhenense também relembrou, com certo rancor, um episódio no qual Rocha teria dito que a rejeição do vilhenense era muito alta em Porto Velho: “Não sei porque ele disse isso. Minha votação na capital foi maior que a dele”.




R$ 2,3 milhões

O empresário revelou que gastou cerca de R$ 2,3 milhões, mas dinheiro dele próprio e do irmão, Orlando Bagattoli, que é seu sócio. E lembrou que só o casal Raupp usou quase o dobro disso, “usando recursos do Fundo Partidário”, que poderiam ir para a Saúde e a Educação.

Confúcio

Durante a entrevista, Jaime exibiu um áudio no qual o ex-governador Confúcio Moura (MDB), quase derrotado por ele na disputa pelo Senado, aparece dizendo que orientou Marcos Rocha a ser candidato: “Não sei se isso é montagem da internet. Mas se esse homem está mesmo se juntando ao Confúcio, ele não está traindo apenas o PSL, mas a toda a população de Rondônia”.

Casal Raupp

Bagattoli lançou petardos também contra o senador Valdir Raupp (MDB), e comentou a derrota dele: “Deus abençoou que ele fosse derrotado. E ele não merece ter mandato depois de 16 anos”, afirmou, criticando também a suposta entrada do senador e de sua esposa, a deputada federal Marinha Raupp (também derrotada) na campanha de Rocha.

Diplomacia

Apesar do tom azedo, disse que manterá a lealdade a seu partido e prometeu manter aberto o comitê do PSL para que, os voluntários que quiserem, distribuam o material de campanha de Marcos Rocha. Mas manteve a posição de que sua prioridade é Bolsonaro, não o candidato a governador.

Dois aliados

Bagattoli disse que não conversou com Bolsonaro sobre sua decisão, mas argumentou que ele provavelmente apoiaria o desembarque: “Os dois candidatos a governador aqui apoiam o Bolsonaro”, disse, sem mencionar o nome de Expedito Júnior.

“Não quero nada”

O líder do PSL, negou ao responder à pergunta de um jornalista, que tenha interesse em cargos num eventual governo de Marcos Rocha: “Sou empresário e não quero nada. Apenas peço a quem for governador que faça uma boa gestão, com pessoas técnicas”. A única sugestão que fez, segundo detalhou, é que Rocha pudesse aproveitar a experiência de Evandro Padovani na Secretaria de Estado da Agricultura, pasta que o vilhenense, que fez boa votação para deputado federal, ocupou na gestão Confúcio.

Comentários