Cinco motivos para continuar estudando mesmo com concursos suspensos

Alguns aspectos precisam ser avaliados antes de qualquer decisão

Foto: Divulgação
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A mudança nas regras e a demora na liberação de novos concursos públicos faz surgir uma série de dúvidas entre os concurseiros. Sem qualquer previsão de seleções para o Executivo federal, começa o questionamento se é vantajoso ou não continuar a se preparar para as provas ou mesmo começar os estudos.

Alguns aspectos precisam ser avaliados antes de qualquer decisão. Diante das atitudes e medidas tomadas pela equipe do presidente Jair Bolsonaro (PSL), espera-se que só a partir da apresentação dos novos pedidos de autorização as peças do quebra-cabeça comecem a ser remontadas. O prazo termina no fim de maio, e as solicitações já devem ser enviadas atendendo aos requisitos exigidos no Decreto n° 9.739, publicado no fim de março.

Poucos serão os órgãos e as entidades que podem escapar dessa regra. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem negociações avançadas para viabilizar as etapas iniciais da realização do Censo 2020. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) ganharam um empurrãozinho do Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo auditoria publicada no Diário Oficial da União em janeiro, a realização de concurso é urgente e deve ocorrer o quanto antes para evitar o risco de esvaziamento. Há pelo menos cinco anos o Incra espera por essa liberação, sem sucesso. Outro caso grave é o do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que tem necessidade de pelo menos 15 mil servidores, conforme entidades que representam a categoria.

A suspensão temporária de processos seletivos de servidores é um acontecimento cíclico quando se trata de mudança de comando no Palácio do Planalto – e nos demais âmbitos do Poder Executivo. Por isso, a coluna Vaga Garantida listou cinco motivos para continuar a preparação, mesmo ante o adiamento da liberação de editais.

Motivo #1 – Os concursos não vão acabar

Independentemente do tempo que se leve para que as autorizações passem a ser publicadas, os concursos públicos continuarão sendo o meio principal para contratação de profissionais. Essa é a realidade, mesmo com a ampliação das possibilidades do uso de mão de obra terceirizada, que está limitado às carreiras que não são estruturadas.

O relógio voltará a contar a partir de junho, quando entram em vigor as determinações do decreto recém-editado. Enquanto isso, outra verdade precisa ser observada pelos concurseiros, que leva ao segundo motivo.

Motivo #2 – A preparação é um projeto de médio prazo

Todas as carreiras mais atraentes do Executivo federal têm uma lista extensa de conteúdos que são cobrados. Disciplinas com exigência de conhecimento aprofundado e, naturalmente, uma concorrência considerável. Sendo assim, o tempo demandado para a preparação transforma os estudos em um projeto de médio prazo.

Ainda que algumas autorizações saiam este ano, as provas só devem ocorrer a partir de 2021 – escolha estratégica para que os aprovados sejam nomeados com os recursos previstos no próximo Orçamento da União. Isso quer dizer que os prazos de seis meses, entre o aval e o edital, e de quatro meses, entre o lançamento e as primeiras avaliações, tendem a ser aproveitados ao máximo.

Motivo #3 – Setores que vão cortar a fila

Além do IBGE e do INSS, já citados, fazem parte da lista de prioridades as seleções de segurança pública – polícias Federal e Rodoviária Federal, além do Departamento de Segurança Nacional – e da área fiscal (Receita Federal). Outros setores sinalizaram seus apelos e aguardam para entrar no rol de exceções para as ações de austeridade anunciadas nesses primeiros meses de gestão.

As medidas de modernização dos processos administrativos, reestruturação do preenchimento de funções de confiança e cargos comissionados destinados a servidores efetivos podem não ser suficientes diante da grande quantidade de vagas a serem preenchidas. Decidir quem serão contemplados primeiro será um desafio para o Ministério da Economia.

Motivo #4 – Expectativa de cronograma de seleções

Não houve nenhuma movimentação oficial, porém alguns representantes da equipe de Bolsonaro sinalizaram de maneira positiva para a criação de um cronograma mais previsível de concursos. Essa proposta dilui o quantitativo de vagas a serem ocupadas – atendendo às expectativas orçamentárias – e permite que os candidatos se planejem melhor.

A falta de previsibilidade no calendário de editais e de provas é uma das maiores angústias dos concurseiros. O atual cenário, em que há uma grande quantidade de postos disponíveis e a inviabilidade de ocupá-los todos de uma só vez, é ideal para o escalonamento de seleções.

Motivo #5 – Outras opções enquanto os editais não saem

Para quem se identifica com o setor público, há outras opções além do Executivo federal. Algumas carreiras são coincidentes e têm editais com disciplinas semelhantes, como a área fiscal federal, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

Para os cargos administrativos, até mesmo os editais do Judiciário têm conteúdos comuns – embora o perfil profissional desejado seja distinto.

O cuidado deve estar em não desviar para cargos muito diferentes do desejado e correr o risco de deixar de se preparar para a carreira em razão das circunstâncias. Ser concurseiro é entender que aspectos políticos e econômicos interferem diretamente no interesse e na priorização do serviço público.

Fonte: METRÓPOLES

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