
O fenômeno climático El Niño deve pressionar a inflação brasileira em 2027, principalmente por causa dos possíveis impactos sobre a produção agrícola. Segundo projeções apresentadas pelo Banco Central (BC), os efeitos do fenômeno podem acrescentar cerca de 0,5 ponto percentual à inflação no próximo ano.
Os principais efeitos do El Niño são esperados para a segunda metade de 2026, mas devem ser sentidos com maior intensidade nas safras colhidas em 2027. Ainda assim, os preços de alguns alimentos podem começar a sofrer impactos antes disso.
No Relatório de Política Monetária, divulgado pelo BC na última quinta-feira (24), a projeção de inflação para 2027 passou de 4,10% para 4,30%. Entre os fatores considerados está a incorporação gradual dos efeitos do El Niño sobre os preços dos alimentos e da alimentação no domicílio.
O BC aponta possíveis impactos sobre culturas como soja, milho, arroz, algodão, café e cana-de-açúcar. A autoridade monetária, porém, ressalta que estimar os efeitos dos fenômenos climáticos sobre a produtividade agrícola é uma tarefa complexa e que as projeções devem ser interpretadas com cautela.
Segundo o relatório, os efeitos climáticos representam um risco para a produtividade, mas não permitem, isoladamente, prever o desempenho das safras, já que outros fatores também influenciam a produção agrícola.
Projeções do Ministério da Fazenda
O Ministério da Fazenda também avalia os possíveis impactos do El Niño sobre a economia. No Boletim Macrofiscal, a Secretaria de Política Econômica (SPE) afirmou que o fenômeno pode pressionar os preços de alimentos in natura ainda em 2026, embora os efeitos mais relevantes sejam esperados para a safra de 2027.
A pasta revisou de 3,6% para 3,8% a projeção de inflação para 2027. De acordo com a Fazenda, a mudança considera os efeitos do El Niño sobre a produção de grãos e os impactos posteriores sobre os preços das carnes.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Esse aquecimento altera os padrões de circulação atmosférica e pode modificar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do mundo.
No Brasil, o fenômeno costuma estar associado a mais chuvas no Sul e períodos de seca no Norte e Nordeste, além de temperaturas mais elevadas em algumas áreas.
O El Niño ocorre de forma periódica, geralmente em intervalos de dois a sete anos, e pode durar vários meses. Seus efeitos também podem atingir setores como agricultura, geração de energia e abastecimento de água.
Impactos sobre a inflação e os juros
Os alimentos têm peso relevante na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Por isso, uma redução da oferta agrícola provocada por condições climáticas adversas pode pressionar os preços e contribuir para uma inflação maior.
Uma inflação mais elevada também pode dificultar o processo de redução dos juros. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano.
Nesse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode enfrentar maior dificuldade para reduzir a taxa de juros, enquanto a inflação permanecer pressionada. Juros elevados tendem a encarecer o crédito e podem manter a atividade econômica mais contida por um período prolongado.
Fonte: Metrópoles




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