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Governo sugere reunião entre Mendonça e diretor-geral da PF após tensão

Proposta foi apresentada nesta quinta-feira (6), em reunião entre o ministro do STF, o ministro da Justiça e o AGU para distensionar a crise

O governo Lula sugeriu ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), uma reunião com o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, como mais um passo para distensionar a crise entre a instituição policial e o gabinete do relator dos inquéritos do caso Master, do INSS e do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A proposta do encontro foi apresentada nesta quinta-feira (6), durante uma conversa entre Mendonça, o ministro da Justiça, Wellington Cézar, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Segundo apurou a CNN Brasil, o magistrado não se opôs à reunião. Porém, ainda não há data marcada para o encontro.

Na conversa desta quinta, o ministro da Justiça se colocou à disposição de Mendonça para ajudar na interlocução com a PF e manter um diálogo permanente para atender demandas do magistrado. Foi neste contexto, segundo apurou a CNN, que surgiu a sugestão de inclusão do diretor-geral em um próximo encontro.

A reunião desta quinta-feira foi descrita como positiva por todos os participantes. A avaliação compartilhada pelo ministro da Justiça e pelo advogado-geral da União é a de que há um ambiente favorável para encerrar a tensão entre o gabinete de Mendonça e a PF.

Do lado de Mendonça, o encontro também foi considerado positivo, com a garantia de que a PF trabalhará de forma independente, com autonomia e sem interferência.

Em meio à tensão com o STF, os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram, nesta quinta-feira (6), uma nota conjunta em defesa do diretor-geral Andrei Rodrigues. Eles reafirmam o “compromisso da instituição” com a Constituição, a legalidade, a imparcialidade e o Estado Democrático de Direito.

Como mostrou a CNN Brasil, o encontro entre Mendonça e o ministro da Justiça foi articulado por Jorge Messias para evitar a ampliação da crise, que se tornou pública. A intenção é preservar a relação institucional entre a PF e o gabinete do relator, dar tranquilidade e agilidade às investigações e evitar novos desgastes.

As investigações envolvendo o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) geraram acusações e alimentaram desconfianças dos dois lados.

A iniciativa da AGU ocorre após o órgão ser acionado pela PF para atuar contra as medidas impostas por Mendonça sobre o controle da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes bilionárias.

O relator do caso INSS, por sua vez, reclama da demora da PF em dar andamento ao inquérito que cita Lulinha e da troca da coordenação da equipe de investigação. No começo do ano, o STF quebrou os sigilos bancário e fiscal de Lulinha.

Ele é apontado na investigação como suposto sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso desde o fim do ano passado.

O embate entre a PF e o gabinete de Mendonça escalou na semana passada, quando a PF pediu a abertura de três inquéritos contra Lulinha por suposto tráfico de influência e corrupção envolvendo o Ministério da Saúde, a Dataprev e outros órgãos do governo federal.

Essas investigações tiveram origem no inquérito que apura as irregularidades nos descontos do INSS, mas a PF sustenta que elas não têm relação direta com esse caso.

O pedido de abertura dos novos inquéritos foi visto por uma ala do STF como uma tentativa de afastar Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, da investigação envolvendo o filho do presidente Lula.

O sorteio feito pelo sistema da Corte, porém, distribuiu os inquéritos sobre Lulinha no Ministério da Saúde e na Dataprev para o próprio Mendonça, que já é relator do caso INSS e da investigação sobre o Banco Master.

Já o ministro Flávio Dino, indicado por Lula ao STF, foi sorteado relator do terceiro inquérito envolvendo o filho do presidente.

A rota de colisão entre a PF e Mendonça começou antes, quando o relator determinou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ficasse de fora do caso e sem acesso às informações da investigação.

No começo deste mês, o chefe da PF reagiu e afirmou a jornalistas que “cumpre essa regra há mais de 20 anos, desde que se tornou delegado”, em referência à prática de não interferir em inquéritos conduzidos por subordinados.

A PF já concluiu o primeiro inquérito do caso e indiciou 48 pessoas, entre elas o “Careca do INSS”, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o ex-ministro José Carlos Oliveira.

Fonte: CNN Brasil

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