
Como se não bastasse o fervor popular nas redes sociais, cresce também o afastamento de lideranças e aliados de diferentes estados, que começam a recuar da decisão de levantar a bandeira ou simplesmente apoiar o presidenciável Flávio Bolsonaro, filho do clã Bolsonaro, no pleito eleitoral que se aproxima.
Além de Cleitinho, em Minas Gerais, que já deu sinais de abandonar a candidatura ao governo, o próprio Tarcísio de Freitas, em São Paulo, cancelou sua participação no lançamento da campanha em Campinas. Entre outros exemplos, uma meia dúzia de pré-candidatos da direita já se distancia abertamente da figura emblemática do “irmão Flavinho”. Até Ciro Gomes, no Ceará, teria sinalizado negativamente para uma possível parceria articulada por Michelle Bolsonaro. No próprio reduto carioca, somando-se à derrocada de Cláudio Castro, o clima já é de desgaste entre os postulantes da direita.
Afinal, trata-se de um escândalo de grandes proporções e, politicamente, quem se aproxima corre o risco de cair como peças de dominó. Contudo, o que mais pesa na balança dos liberais é a debandada de eleitores conscientes, atentos ao que consideram uma implosão irreversível diante dos danos causados à nação e à própria democracia.
As pesquisas de institutos credenciados mostram sinais claros desse desgaste. A AtlasIntel publicou que Flávio Bolsonaro perdeu seis pontos percentuais em apenas cinco dias após a divulgação dos áudios e das respostas conflitantes envolvendo o caso. Em termos de votos, isso representaria mais de 7 milhões de eleitores. Para efeito de comparação, todo o estado de Rondônia possui menos de 1 milhão de eleitores.
E os indicadores de desgaste não param por aí. Mesmo em estados historicamente alinhados à direita, os dados apontam uma tendência significativa de migração de eleitores para outras siglas partidárias. Um levantamento qualitativo realizado neste último fim de semana em Porto Velho (RO) indicaria uma possível transferência de 43,3% dos votos de Flávio Bolsonaro para outros candidatos. Segundo o estudo, o presidenciável Romeu Zema seria o mais beneficiado, enquanto Lula da Silva apareceria com o menor índice entre os cinco principais nomes citados.
A sondagem teria sido realizada pelo Instituto Data Continental, em caráter qualitativo, tomando como base números divulgados anteriormente pelo instituto Datafolha.
Diante das inúmeras denúncias e pedidos de investigação nos órgãos públicos, somados ao surgimento de novos fatos e às supostas contradições do senador, o país parece cada vez mais dividido. De um lado, setores elitizados que apelam ao apoio de lideranças religiosas alinhadas politicamente; do outro, o operariado e a população mais sofrida.
O autor é diretor do Instituto Phoenix de Pesquisa e analista político.




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