PolíticaRondônia

Planejamento da transição deve virar ação para manter serviços públicos em operação

Confira o editorial

Uma mudança de governo começa antes da posse, mas não se mede pela quantidade de reuniões, pela lista de nomes ou pelo anúncio de novas estruturas. Em Rondônia, a transição para a gestão de Marcos Rogério terá de mostrar se o levantamento de informações pode virar decisões fundamentadas, sem comprometer serviços que não podem parar.

O grupo foi formalizado por decreto de 16 de outubro e reúne 35 integrantes: 13 da administração atual e 22 indicados pelo governador eleito. A composição estabelece um canal entre as equipes. Agora, é preciso definir prioridades, reunir dados comparáveis, registrar pendências e separar as providências que cabem ao governo atual daquelas que dependerão do próximo. É necessário registrar pendências, responsáveis e prazos para cada encaminhamento no processo.

Rogério anunciou a intenção de criar um gabinete de crise para enfrentar problemas na saúde, sobretudo as filas de exames e cirurgias. A proposta trata de uma necessidade concreta, mas criar um comitê não reduz, por si só, o tempo de espera nem amplia procedimentos. A avaliação dependerá de diagnóstico público, metas, critérios de urgência, prazos e divulgação periódica dos resultados. Sem esses parâmetros, será difícil distinguir anúncio de execução.

A atenção à saúde não elimina as demais responsabilidades. Educação, segurança e áreas administrativas também exigem planejamento e recursos limitados. A transição deve apontar riscos sem interromper rotinas, e a próxima gestão precisará explicar como conciliará prioridades, orçamento, equipes e capacidade de atendimento. Agilidade pode ser necessária; decisões sem informação suficiente, porém, podem gerar custos e atrasos.

O trabalho não cabe apenas ao governo eleito. À administração que deixa o cargo compete fornecer informações consistentes e facilitar o acesso aos dados, conforme as regras legais. À equipe que chega cabe examinar o material, esclarecer lacunas e apresentar conclusões responsáveis. O perfil técnico citado pelo futuro governador terá relevância se resultar em análises transparentes e propostas executáveis.

Até janeiro de 2027, há tempo para mapear problemas, não para tratar expectativas como resultados. A transição será útil se apresentar um retrato claro do Estado, indicar decisões urgentes e explicitar os limites de cada medida. Mais do que afirmar que fará a máquina pública funcionar, o desafio será mostrar, com dados acessíveis e acompanhamento, como as decisões preservarão os serviços e responderão às necessidades da população.

Fonte: Diário da Amazônia

Comentários no Facebook

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo