
Um tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia foi preso nesta quarta-feira (7), em Santa Maria da Vitória, no oeste do estado, suspeito de receber R$ 286 mil de um sargento da reserva apontado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) como chefe de uma milícia armada que atuava na região de Correntina.
A prisão ocorreu durante a terceira fase da Operação Terra Justa, realizada pelo MP-BA, pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) e pela Corregedoria da Polícia Militar. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao oficial.
Segundo a SSP-BA, Luiz Augusto Normanha de Carvalho foi denunciado pelo MP-BA por corrupção passiva militar. A Justiça recebeu a denúncia e determinou a prisão preventiva do policial.
O tenente-coronel já havia sido preso em setembro do ano passado por posse ilegal de arma, mas foi liberado no dia seguinte. Na época, ele foi exonerado do cargo de diretor do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa.
Antes disso, Luiz Augusto comandou a 30ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de Santa Maria da Vitória até 2023.
De acordo com a acusação, o oficial recebia pagamentos frequentes do sargento da reserva, geralmente no valor de R$ 15 mil por mês. Além disso, boletos da faculdade da filha do policial e outras despesas pessoais teriam sido pagos pelo grupo.
Para o MP-BA, os valores tinham como objetivo fazer com que o tenente-coronel deixasse de combater a atuação da milícia armada na região.
Milícia atuava em conflitos por terras
Segundo a denúncia, o sargento da reserva foi condenado por chefiar uma organização que atuou durante mais de dez anos na região de Correntina. O grupo prestava serviços de segurança privada para fazendeiros envolvidos em conflitos fundiários e, conforme o MP-BA, ameaçava e expulsava comunidades tradicionais de suas terras.
A acusação aponta ainda que o tenente-coronel teria contribuído para o funcionamento da estrutura, inclusive participando da definição de escalas de vigilantes armados.
O MP-BA também afirma que o oficial teria usado a influência do cargo para favorecer a contratação de serviços irregulares de segurança armada para um fazendeiro da região, mesmo após a prisão do sargento apontado como chefe da milícia.
A terceira fase da Operação Terra Justa investiga a atuação da organização envolvida nos conflitos fundiários e a possível participação de agentes públicos no esquema.
Fonte: G1 Bahia



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