Donald Trump desembarca na quinta-feira (13/5) em Pequim para o segundo encontro, no atual mandato, com o presidente Xi Jinping, e a primeira visita de um presidente dos Estados Unidos à China em cerca de uma década — ele próprio, em 2017, no primeiro período presidencial. A agenda especulada por assessores de ambos os lados, além de observadores e estudiosos, reflete as transformações em curso no cenário internacional e na economia global e, por tabela, nas relações entre uma superpotência que vê ameaçados os planos de supremacia e outra, em ascensão, confiante em assentar seu lugar na hierarquia geopolítica.
Na partida da Casa Branca, na véspera, o presidente abordou brevemente com a imprensa um tema que, assumidamente, prefere colocar em segundo plano, mas que dificilmente poderá evitar. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que avança pelo terceiro mês, coloca Washington em confronto direto com um aliado de primeira importância para o regime comunista de Pequim. A alta do petróleo e o bloqueio naval no Estreito de Ormuz, via essencial para a exportação da commodity, estão no centro das preocupações da diplomacia chinesa, que manobra em parceria com o Paquistão para colocar as partes em negociação e apressar uma solução definitiva para o conflito.
“Teremos uma longa conversa sobre isso”, disse Trump aos jornalistas, seguro de que a China “não causa problemas” para os EUA no Oriente Médio, embora tenha recebido na semana passada o chanceler iraniano, Abbas Araghchi. Depois de se referir a Xi como “alguém com quem nos damos bem”, reforçou a expectativa otimista para o encontro de cúpula, adiado justamente por causa da guerra: “Acho que ele verá que coisas boas vão acontecer”.
Segundo tempo
O professor de relações internacionais Gunther Rudzit, da ESPN, vê as reuniões de hoje e amanhã entre os líderes das duas principais economias como uma espécie de “segundo tempo” nas relações bilaterais — entre os dois países e entre eles próprios. “Fundamentalmente, no primeiro mandato, Xi não sabia como lidar com Trump”, disse ao Correio. “Era ainda uma fase de conhecimento entre os dois, uma aproximação. Trump acreditava que aproximando as relações pessoais ele conseguiria concessões econômicas, cooperação sobre a Coreia do Norte, até uma espécie de equilíbrio pragmático.”
Passados quase 10 anos, é Xi quem aguarda a visita na posição de líder consolidado da locomotiva que puxa a economia global. Dobrou a ofensiva tarifária de 2025 e negocia em vantagem as pendências bilaterais no tema crítico do desenvolvimento das tecnologias que despontam como chave para o desenvolvimento econômico no século 21. “A China tem usado seu quase monopólio nas terras raras e minerais críticos para pressionar o governo americano a liberar o acesso a microchips mais avançados” exemplifica o professor da ESPN. “Com certeza, é um tema central na conversa deles, porque é o futuro: quem vai controlar inteligência artificial e computação quântica.”
Fonte: Correio Brasiliense

