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Muito além dos períodos de crise, doar sangue deve virar rotina

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Momentos de redução dos estoques de sangue costumam despertar campanhas de conscientização e mobilizar a população. A resposta, muitas vezes, aparece rapidamente. Passado o período de maior preocupação, porém, as doações voltam a diminuir e o problema reaparece. Esse ciclo, observado em diferentes estados brasileiros, demonstra que a questão ultrapassa a necessidade de ações emergenciais.

Manter uma rede de hemoterapia em funcionamento no estado exige planejamento permanente. Nenhum hospital consegue prever quando ocorrerão acidentes, cirurgias ou situações que dependam de transfusões imediatas. Por isso, os bancos de sangue precisam permanecer abastecidos durante todo o ano, independentemente de campanhas específicas ou períodos de maior repercussão.

Em Rondônia, o alerta para recompor principalmente os estoques dos tipos O positivo e O negativo reforça essa realidade. Esses grupos sanguíneos possuem papel estratégico no atendimento hospitalar. O tipo O negativo, por exemplo, pode ser utilizado em situações de urgência antes da identificação do sangue do paciente, tornando-se indispensável em atendimentos de emergência.

Também é necessário reconhecer que a doação de sangue ainda enfrenta barreiras culturais. Muitas pessoas se mobilizam apenas quando familiares ou amigos precisam de transfusões. Outras deixam de doar por receios relacionados ao procedimento, embora os protocolos adotados pelos hemocentros sejam rigorosos. Informação clara e orientação permanente continuam sendo ferramentas importantes para ampliar a confiança dos voluntários.

Ao mesmo tempo, não cabe atribuir toda a responsabilidade à população. Gestores públicos precisam investir em campanhas contínuas, facilitar o acesso às unidades de coleta, ampliar horários de atendimento e desenvolver estratégias capazes de fidelizar doadores. A manutenção dos estoques depende tanto do compromisso da sociedade quanto da organização eficiente dos serviços de saúde.

Outro aspecto merece atenção. Qualquer cidadão pode, em algum momento, necessitar de uma transfusão ou ter um familiar submetido a esse procedimento. Quando isso acontece, a existência de um banco de sangue abastecido deixa de ser apenas um indicador da gestão pública e passa a representar um recurso essencial para o atendimento médico.

Campanhas de mobilização continuarão sendo importantes sempre que os estoques diminuírem. Ainda assim, elas não substituem uma política permanente de incentivo à doação voluntária. Transformar esse gesto em hábito regular reduz a dependência de ações emergenciais e fortalece a capacidade da rede pública de responder às necessidades dos hospitais durante todo o ano.

Fonte: Diário da Amazônia

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