De PF a influencer digital: a história da mulher acusada na internet de fraude

A acusação da internet começou após uma foto, tirada durantes exame de heteroidentificação do concurso

Foto: Divulgação
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A história de Glaucielle da Silva Dias, também conhecida como Glau Dias nas redes sociais e centro de uma polêmica envolvendo cotas raciais em concurso da Polícia Federal, amanheceu como notícia publicada em diversos sites e jornais.

“Mulher acusada de fraudar cota para entrar na PF pediu exoneração”, “Candidata branca é aprovada na PF em cota destinada a negros”, “Sou negra sim, diz mulher acusada na web”. Essas são menções feitas na internet.

A acusação da internet começou após uma foto, tirada durantes exame de heteroidentificação do concurso,  aparentar Glaucielle com cabelos mais ondulados e pele mais escura, quando comparadas a outras fotos de suas redes sociais.
Em defesa, a mulher publicou um vídeo na noite de quinta-feira (17/9) no qual afirma que é negra e nunca se escondeu de ninguém. “Eu não fiz nada de errado. Minha mãe é negra, minha avó é negra, toda a família é negra. Estudei sempre em escola pública. Estou sendo julgada por pessoas que não me conhecem e não conhecem minha história”, declarou. O vídeo já tem mais de 14 mil visualizações.
Atualmente, Glau Dias e o noivo dela usam as redes sociais para realizar aulas de motivação e preparação para concursos públicos. “Passei no Polícia Federal aos 27 e na PCRS aos 26”, é a descrição de seu perfil. “Minha missão é transformar a sua vida”, continua.
No instagram ela conta mais com de 175 mil seguidores e se define como criadora de conteúdo digital com postagens de estímulo como “Dica de ouro para ser aprovado” e “O segredo da aprovação”.
Em uma postagem de junho  deste ano, Glau compartilhou com os seguidores como não fazia ideia dos rumos que sua vida daria até conquistar o tão sonhado cargo pública na carreira da PF e que “tinha tudo para não ser nada”. “Era para a PF que eu tinha que estudar, em 2018 que eu tinha que passar, em 2019 que eu tinha que ir para a Academia de Polícia, era da turma Brasil que eu tinha que fazer parte (…) Obrigada, meu Deus, por tudo”.
Nas redes, ela conta que, para conseguir o cargo, estudava cerca de 6h/8h por dia, que é formada em educação física e que não teve facilidade nos estudos. “Estudei em escola pública, nunca fui exemplo de boa aluna. Tive que correr atrás do prejuízo”, conta.
Em outros momentos, Glau também usou as redes sociais para compartilhar momentos particulares e de uma “realidade lamentável” sobre violência doméstica, que afirma ter vivido com um antigo padrasto. Ao relatar detalhes do ocorrido ela usa a postagem para aconselhar outras pessoas: “Mulheres, não se relacionem com homens que mostrem um mínimo de agressividade. Eles dão sinais”, diz.
Exoneração da Polícia Federal
No último dia 5, o noivo de Glau publicou nas redes um vídeo de explicação para os seguidores sobre a saída da PF. Ele explica que eles não foram demitidos e, sim, exonerados a pedido, segundo ele, após o projeto nas redes intitulado de “Ouse passar” crescer muito e demandar atenção. Ele lembra também que quem é servidor público federal não pode administrar empresas, apenas ser sócio. “Tínhamos duas opções: ou continuar na PF ou sair para continuar com esse trabalho de mentoria e cursos. A gente acha que esse é o nosso propósito na Terra”, diz.
Ele comenta também o fato de Glau Dias se autodeclarar parda e defende a companheira. “Na PF ela se declarou parda e passou por todas as etapas, banca, por tudo. Além disso também passou por toda a investigação social, que começa desde a prova objetiva, até o final do curso de formação e posse”, explica.
No mesmo vídeo ele crítica pessoas que estariam ligando para ouvidoria da PF e mandando fotos do Instagram para acusar Glau de fraude. “ Isso é absurdo. Ainda mais nos dias de hoje, que as redes são cheias de filtro. Glau tem o filtro dela, eu tenho meu filtro. Aparecemos às vezes com pele mais branca, existe filtro”. Ele aproveita também para dizer que não se usa foto pessoal para se declarar pardo, negro ou branco. “É autodeclaração, com banca pessoalmente. Foto não pode. Está na lei”.
A Glau é parda, sim. Muito cuidado com os comentários. Isso machuca uma pessoa que é muito batalhadora. A história não muda”, pede.
Para finalizar, ele resume que a saída da corporação é um ato de coragem e realização pessoal. “Largamos dois salários de polícia federal. R$ 24 mil. Mas temos um coração que ferve por algo. Quando duas pessoas têm um objetivo centrado, ninguém é capaz de pará-las. Agora a gente vai crescer e a gente vai transformar vidas”, enfatiza.
O Cespe-Cebraspe, banca organizadora do concurso disse, em nota, repudiar qualquer tentativa de fraudar o sistema de cotas e que sua função é, em caso de suspeitas de ilegalidade, encaminhar os dados para a autoridade policial, que deverá fazer uma investigação.
Já a Polícia Federal informou apenas que está apurando as circunstâncias do fato.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE

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