
A adolescente de 13 anos, de Naviraí (MS), teria sido atraída para um grupo virtual após um integrante criar um vínculo de amizade com ela. A aproximação foi tão próxima que a pessoa passou a ser considerada pela menina como sua “melhor amiga”.
Segundo odetalhes apresentados durante coletiva nesta quinta-feira (17), a relação fazia parte de uma estratégia de aliciamento. Depois de conquistar a confiança da adolescente, o suspeito teria passado a ameaçá-la, manipulá-la e coagí-la a cumprir ordens do grupo.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e envolve grupos virtuais suspeitos de aliciar crianças e adolescentes, além de induzir vítimas à automutilação e ao suicídio.
Como funcionava o aliciamento
De acordo com a investigação, os integrantes utilizavam perfis falsos para localizar adolescentes, principalmente aqueles com perfis públicos nas redes sociais. Fotos, vídeos e outras informações disponíveis na internet eram usados para iniciar o contato.
Depois, as vítimas eram levadas para outras plataformas digitais. Com a confiança estabelecida, os suspeitos obtinham informações pessoais e passavam a utilizá-las para fazer ameaças e exercer controle. A Polícia Civil chamou a prática de “escravização virtual”.
A investigação também identificou outra adolescente que teria sido induzida à automutilação e ao suicídio, mas conseguiu interromper a transmissão antes de consumar o ato.
12 adolescentes são investigados
Após duas fases da Operação Lívia, 12 adolescentes são investigados por envolvimento com os grupos. Na primeira etapa, em 4 de agosto, cinco adolescentes e um jovem de 18 anos foram apreendidos. Na segunda, realizada na terça-feira (15), seis adolescentes foram apreendidos.
O adulto responde, segundo a polícia, por homicídio qualificado, organização criminosa e maus-tratos contra animais. Entre os adolescentes, um jovem de 14 anos apontado como um dos responsáveis pelo grupo foi apreendido no Rio de Janeiro.
Na primeira fase, a polícia apreendeu celulares, computadores, armas, materiais relacionados à apologia ao neonazismo e conteúdos de abuso sexual infantil.
Os cinco adolescentes apreendidos na primeira fase foram posteriormente soltos por decisão judicial. Segundo o juiz Fernando Moreira, da 1ª Vara Criminal de Naviraí, o prazo de 45 dias para a internação provisória terminou sem a conclusão de todos os laudos necessários. A investigação continua.
Relembre
A adolescente morreu em 22 de julho, dentro de casa, em Naviraí. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas passou a ser investigado como possível homicídio após a polícia identificar indícios de ameaças, manipulação e coerção por integrantes de um grupo virtual.
Após o caso, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, em 12 de agosto, a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil. A medida não suspendeu o funcionamento da plataforma e permanece até que sejam comprovadas medidas de proteção a crianças e adolescentes.
Fonte: G1 Mato Grosso do Sul



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