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Operação da PF com aval de Dino põe ‘Dark Horse’ e Mario Frias no alvo em meio a crise no STF

Um dos alvos dos mandados de busca e apreensão foi o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista do filme e autor das emendas parlamentares sob investigação. Foi também alvo da ação policial Karina Gama, da Go Up Entertainment, produtora do "Dark Horse".

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (10) operação autorizadapelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), sobre suspeitas de desvio de dinheiro público para o filme “Dark Horse”, que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Um dos alvos dos mandados de busca e apreensão foi o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista do filme e autor das emendas parlamentares sob investigação. Foi também alvo da ação policial Karina Gama, da Go Up Entertainment, produtora do “Dark Horse”.

Os investigadores da PF suspeitam que ao menos R$ 750 mil repassados à Go Up no período das filmagens da obra tiveram como origem emendas de Frias.

Dino proibiu o deputado do PL de sair do país e tirou o sigilo da investigação que pode ser ponto de desgaste para Flávio Bolsonaro -candidato do partido à Presidência e que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiamento do filme sobre seu pai, mas sempre negou qualquer presença de dinheiro público na produção.

A decisão do ministro, indicado ao STF por Lula (PT), foi tomada em meio à crise institucional no tribunal, com embates entre magistrados depois de o ministro André Mendonça, indicado à corte por Jair Bolsonaro, ter tornado públicas ligações de Alexandre de Moraes com Vorcaro.

Frias criticou a operação. Em vídeo publicado em redes sociais, o parlamentar a chamou de “cortina de fumaça” e disse que a apuração não tem fundamento.
“A investigação é sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões que eu destinei para contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital para tirar crianças da rua, para ensinar crianças, jovens, adolescentes a se desenvolverem intelectualmente”, afirmou.

O deputado disse que a defesa pede acesso “há meses” ao inquérito, sem sucesso, e que tem sabido das movimentações por meio da imprensa.
“Se há uma nota que a CGU [Controladoria-Geral da União] quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça.”

Procurada pela reportagem, Karina não respondeu, mas ela negou irregularidades à coluna Mônica Bergamo, disse que se sente ameaçada e que, se for presa, não tem o que delatar. A decisão de Dino cita que a produtora do “Dark Horse” comprou um carro BYD Song Plus 1.5 híbrido por R$ 102 mil em dinheiro vivo.

Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal.

A PF apreendeu sete armas durante a operação. Essas armas estavam registradas no nome de Frias, mas agentes as localizaram em endereço diferente do que deveriam estar. Por esse motivo, será investigada a posse ilegal de arma de fogo.

A ação desta quinta teve como base movimentações financeiras do ICB (Instituto Conhecer Brasil), ONG presidida por Karina. Os dados estão em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Frias enviou R$ 2 milhões ao ICB por intermédio de duas emendas, segundo o relatório policial, com base em informações da CGU. Metade do valor foi destinado a projeto de letramento digital.

Dentro desse projeto, duas empresas ligadas a um fornecedor de Karina, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, receberam R$ 700 mil do ICB entre fevereiro e março de 2025. Meses depois, entre novembro e dezembro, período de filmagem da obra, uma terceira empresa vinculada a esse mesmo fornecedor, a NTT Brasil, repassou R$ 750 mil à produtora do filme “Dark Horse”.

A PF diz que “os elementos disponíveis não permitem afirmar” que os R$ 750 mil tenham “origem direta” nos valores recebidos do instituto, mas aponta que as coincidências entre montantes e datas são “circunstâncias relevantes” para a análise financeira.

A decisão registra que a Go Up pagou no período de filmagens, entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, R$ 906,7 mil a um hotel e outros R$ 653 mil a uma empresa de alimentação.

A polícia faz uma correlação desses pagamentos com o dinheiro pago pela NTT à produtora (R$ 750 mil) e diz que “tais fatos chamam a atenção porque a Go Up Entertainment é a empresa responsável” pelo “Dark Horse”, que tem como produtor executivo Mario Frias.

Ainda conforme o documento que embasou a operação, Frias realizou transferências no montante de R$ 645,4 mil à Go Up, no período de 10 de novembro de 2025 a 30 de dezembro de 2025.

A PF afirma que o montante não é compatível com o salário do parlamentar, “cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de 60 dias”.

O filme “Dark Horse” protagoniza um dos desdobramentos do caso do Banco Master, quando o portal The Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro chegou a negociar R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar a produção. Desse montante, foram repassadas parcelas correspondentes a pelo menos R$ 63,7 milhões.

O candidato do PL à Presidência, porém, não é investigado neste inquérito que mira a Go Up Entertainment, mas sim em outra apuração sobre o filme que está sob relatoria de Mendonça. Nesta quinta, ele afirmou ser “interferência política” a autorização de Dino.

“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo do dinheiro público. Pode revirar do avesso. O que tem é uma tentativa de interferência política mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições”, afirmou Flávio em Boa Vista, onde fez campanha. A reportagem não localizou contato com as empresas Dinâmica, Super Poder Educacional e NTT Brasil.

Fonte: FOLHAPRESS

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