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Orçamento bilionário exige mais que previsão; precisa transformar verbas em serviços

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Administrar R$ 20,44 bilhões exige mais do que estimar receitas e distribuir recursos. Em Rondônia, o orçamento de 2027 será um dos primeiros desafios da gestão de Marcos Rogério (PL), que precisará converter previsões financeiras em serviços públicos e resultados concretos para a população.

Encaminhada à Assembleia Legislativa pelo atual governo, a proposta prevê crescimento de 9,62% em relação à estimativa inicial de 2026, de R$ 18,65 bilhões. O aumento amplia a previsão de recursos, mas não garante, por si só, melhorias na qualidade dos serviços. A execução dependerá da arrecadação efetiva, das prioridades estabelecidas e do controle dos gastos.

O percentual projetado supera o IPCA acumulado de 4,44% nos últimos 12 meses, conforme os dados apresentados. A comparação, entretanto, não permite concluir automaticamente que haverá ganho equivalente na capacidade de atendimento do Estado. Custos, obrigações financeiras e vinculações legais também influenciam o alcance do orçamento.

Do total previsto, R$ 14,35 bilhões serão destinados ao Orçamento Fiscal e R$ 6,09 bilhões à Seguridade Social. A distribuição precisa ser avaliada conforme as necessidades estaduais e as responsabilidades de cada área. Mais importante que o volume global é conhecer as políticas financiadas, as metas estabelecidas e os mecanismos de avaliação dos resultados.

Outro ponto que merece esclarecimento é a previsão de R$ 9 bilhões em arrecadação atribuída ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), apontada como a maior entre as fontes citadas. A composição desse valor e sua destinação precisam ser verificadas no documento oficial. Receita estimada não significa, necessariamente, dinheiro disponível para livre aplicação pelo governo.

À Assembleia Legislativa cabe examinar os números, questionar inconsistências e debater as prioridades. A eventual escolha de Ezequiel Neiva (PL), ligado à base política do governador eleito, para a relatoria reforça a importância de uma análise técnica e transparente, independentemente das alianças partidárias.

Ao apresentar a proposta, Marcos Rocha (PSD) também mencionou mais de 14 mil postos de trabalho criados até junho de 2026, com destaque para o comércio de automóveis e motocicletas e a indústria de transformação. O indicador contribui para contextualizar a economia, mas não substitui uma avaliação mais ampla do mercado de trabalho.

O orçamento é um instrumento de gestão, não uma garantia antecipada de resultados. Fiscalização, transparência e divulgação dos gastos serão fundamentais para verificar se os recursos previstos se transformarão em benefícios concretos para os rondonienses.

Fonte: Diário da Amazônia

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