
Com todas as pesquisas apontando para a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente da República reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conseguiu virar e vencer com mais de três pontos percentuais de diferença. Na reta final, a campanha do petista focou nas redes sociais e nos movimentos de rua, que atraiu milhares de apoiadores.
Depois de uma campanha de primeiro turno considerada menos mobilizadora, o presidente passou a investir em uma linguagem mais informal, com vídeos gravados no formato selfie e mensagens direcionadas diretamente aos eleitores.
Outro movimento importante foi a participação do deputado André Janones (Rede-MG), que impulsionou o chamado “Exército do Lula”, grupo organizado no WhatsApp que reuniu quase 11 milhões de pessoas. A iniciativa ajudou a ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao petista e a intensificar a presença da militância nas plataformas digitais.
Nas redes, a campanha também passou a explorar temas relacionados ao adversário e a alertar eleitores sobre possíveis consequências de uma eventual vitória da oposição para direitos e programas sociais. Ao mesmo tempo, movimentos sociais e estudantes promoveram atos em diferentes cidades, ampliando a presença de apoiadores nas ruas durante a reta final.
Para o cientista político Juan Carlos Arruda, a atuação nas ruas e no ambiente digital foi relevante para mobilizar os dois campos políticos, mas o engajamento nas plataformas não se traduz necessariamente em votos. “As manifestações e as redes sociais foram fundamentais para mobilizar os dois lados, mas existe uma diferença enorme entre engajamento digital e voto. Nem sempre quem faz mais barulho nas redes representa a maioria da população”, observa.
O cientista político ressalta que questões concretas também pesaram na decisão dos eleitores, como a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 e o aumento do Bolsa Família.
A analista política da BMJ Consultoria, Raquel Alves, também destaca a importância da estratégia digital para a campanha petista. “Sem dúvida, avançar sobre o ambiente digital fez a diferença para disseminar as narrativas de Lula, que investiram em ampliar a rejeição a Flávio”, diz.
Ontem, a vitória de Lula foi acompanhada por manifestações de apoiadores em diferentes cidades do país. Na Avenida Paulista, em São Paulo, milhares de pessoas se reuniram para celebrar o resultado, junto com Lula.
O ato repetiu uma mobilização que ganhou força na reta final da campanha, com manifestações presenciais em diversas cidades do país, desde as eleições do primeiro turno. Ganhou visibilidade, a participação da sociedade civil e do movimento estudantil, capaz de mobilizar, inclusive, pessoas idosas que foram às ruas e às urnas.
Governabilidade
Ao comparar os resultados do primeiro e do segundo turnos, Arruda avalia que a eleição consolidou uma maioria de centro-direita no Congresso Nacional, mas não foi suficiente para garantir a vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o especialista, o eleitorado faz escolhas distintas nas eleições para a Presidência da República e para o Legislativo.
Ele diz ainda que Lula terá dificuldade para governar. “Não vejo espaço para grandes aventuras políticas. O governo terá de negociar praticamente tudo, especialmente na área econômica. E o Congresso, que já ganhou muito protagonismo nos últimos anos, tende a ficar ainda mais independente do Executivo”, avalia.
O cientista político ressalta que questões concretas também pesaram na decisão dos eleitores, como a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 e o aumento do Bolsa Família. Na avaliação dele, a combinação entre mobilização política e pautas de impacto direto na vida da população ajudou a definir o resultado.
Raquel Alves acredita que a redução da abstenção foi um dos fatores determinantes para o resultado. No segundo turno, cerca de 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas. Ela também atribui parte do desempenho de Lula às medidas econômicas adotadas pelo governo, que teriam contribuído para reduzir a rejeição ao presidente.
Em contrapartida, as propostas de Flávio Bolsonaro, especialmente na área fiscal, passaram a gerar preocupação entre os eleitores. “A proposta de ajuste fiscal robusta proposta pelo senador Flávio ampliou o temor de perda de direitos sociais”, afirma a analista.
Fonte: Correio Brasiliense




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