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Trump reconheceu Flávio Bolsonaro como presidente eleito do Brasil?

Presidente americano confirmou que autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro e de sua família nos Estados Unidos, mas evitou reconhecer o senador como vencedor das eleições brasileiras. Trump voltou a questionar o resultado da votação sem apresentar provas e defendeu o tratamento recebido pela família Bolsonaro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (28) que não pretende se envolver na situação política brasileira após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixar o Brasil e chegar a Miami com a mulher e as duas filhas. O republicano confirmou que seu governo autorizou a entrada da família em território americano, mas evitou apoiar a declaração de Flávio de que seria o verdadeiro vencedor das eleições presidenciais.

Questionado por jornalistas antes de embarcar para Ohio, Trump respondeu que não comentaria a carta divulgada pelo senador, na qual ele contestou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado no domingo (25).

“Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, declarou Trump.

A manifestação ocorreu poucas horas depois de Flávio divulgar uma carta em que se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da derrota nas urnas. Após a repercussão, o senador alterou o documento e passou a se identificar como “líder do Brasil”.

Trump diz que família Bolsonaro foi tratada de forma injusta

Embora tenha evitado reconhecer Flávio como presidente eleito, Trump voltou a defender a família Bolsonaro e a criticar o processo eleitoral brasileiro.

“Como vocês sabem, não tomei partido na eleição. Mas, quando vejo algo inadequado, eu aponto. Achei que ele e sua família foram tratados de forma muito injusta”, afirmou o presidente americano, segundo a CNN.

Em outra declaração, Trump mencionou sua relação com Lula, Flávio e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Eu conheço os dois. Conheço Lula. Conheço um pouco Flávio. Conheço muito bem o pai. O pai foi tratado muito mal, na minha opinião. Mas eu não me envolvi. É o Brasil, é outro país”, disse.

As declarações ocorreram em meio à repercussão internacional da saída de Flávio do Brasil, após uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal.

Governo Trump já sabia da situação de Flávio Bolsonaro

De acordo com a CNN, integrantes do governo americano tinham conhecimento, desde segunda-feira (26), de que Flávio Bolsonaro havia recebido um prazo de aproximadamente 24 horas para entregar seus passaportes.

Segundo um assessor ouvido pela emissora, autoridades americanas informaram ao senador que sua entrada nos Estados Unidos seria permitida.

Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), atravessando a fronteira com a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú.

Depois, embarcou em uma aeronave privada que fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para a Flórida.

O senador desembarcou no aeroporto de Opa-locka, na região de Miami, acompanhado da esposa e das duas filhas. Imagens divulgadas pela CNN mostraram a família deixando a aeronave e posteriormente saindo do aeroporto.

Segundo a Folha de S.Paulo, Flávio recebeu autorização humanitária de entrada nos Estados Unidos com validade de um ano, extensiva a seus familiares.

Trump questiona eleição brasileira, mas não apresenta provas

As declarações de quarta-feira não foram as primeiras manifestações de Trump sobre o resultado da eleição presidencial brasileira.

Na segunda-feira (26), um dia depois da vitória de Lula, o presidente americano afirmou que a votação brasileira parecia ter sido fraudada.

“Pareceu mais uma eleição fraudada, para ser sincero”, declarou.

Trump também classificou o processo como “tão corrupto, tão terrível”, sem apresentar evidências que sustentassem as acusações.

O republicano questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de permitir a extensão do horário de votação em determinadas localidades brasileiras.

A medida, entretanto, também havia sido solicitada pela campanha do próprio Flávio Bolsonaro em alguns municípios.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aproximadamente 34 mil votos foram registrados após as 17h, número insuficiente para alterar o resultado da eleição, decidida por uma diferença superior a 4 milhões de votos.

Flávio agradeceu a Trump por acolhimento nos Estados Unidos
Na carta divulgada após sua chegada aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro agradeceu diretamente a Donald Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, pelo apoio recebido durante sua saída do Brasil.

“Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil”, escreveu.

O senador também afirmou que pretende comandar a oposição ao governo Lula a partir do território americano.

“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declarou no documento.

Flávio sustenta que deixou o país para evitar uma suposta perseguição política. Ele é investigado por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro e nega ter cometido irregularidades.

Fonte: Notícias ao Minuto

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