Denúncias de maus-tratos: Imagens mostram alunos do Colégio Militar de BH passando mal após ficarem horas sob o sol

A solenidade faz parte da comemoração dos 66 anos da instituição que acontece no sábado (11). O general Walter Braga Neto é ex-aluno do colégio.

Foto: Reprodução TV Globo
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A reportagem da TV Globo teve acesso a imagens que mostram cerca de vinte alunos do Colégio Militar de Belo Horizonte passando mal durante um treinamento realizado na manhã desta quinta-feira (09), no bairro São Luís, na Região da Pampulha.

Segundo relato de testemunhas, estudantes entre 11 e 18 anos permaneceram mais de três horas embaixo do sol forte. Muitos não resistiram ao calor e a baixa umidade, como conta uma aluna que não quer ser identificada.

“Estava muito seco e o sol estava cada vez mais quente. Então, muitos alunos acabaram passando mal porque a gente fica o tempo todo em pé fazendo sentido, escutando as orientações. Então foi desconfortável para muita gente, principalmente pros menores do sexto e sétimo ano”, disse.

Protocolos sanitários também foram descumpridos, segundo as denúncias. Os pais dos estudantes contaram que os alunos bebiam água direto no bebedouro, o que é proibido, pelo risco de contágio do coronavírus.

Em outro momento, as crianças seguravam armas. Segundo fontes internas do colégio, são carabinas descarregadas.

A lei que regulamenta a posse de armas e o Estatuto da Criança e do Adolescente dizem que é proibido “vender fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo”.

O treinamento é para uma solenidade que acontece amanhã e comemora os 66 anos do Colégio Militar. O ministro da defesa, general Walter Braga Neto, ex-aluno do colégio, confirmou presença na cerimônia.

Segundo as denúncias feitas por funcionários do colégio, pais e alunos, o responsável por impor esse treinamento excessivo é o diretor do colégio, coronel Régis Rodrigues Nunes.

Professores civis e militares disseram que ele foi autoritário com as crianças. Em uma gravação, o coronel reclama que os alunos não se mantiveram em posição de sentido.

“Ação dos alunos aqui e qual o motivo pelo qual eles saíram de forma? Depois me passa, o que que tá acontecendo? É falta de café, o que que é?”, teria dito o diretor em áudio.

“A gente presenciou ele ser um pouco grosseiro com várias pessoas que estavam ali. É… Falando que não podia dar errado no sábado, que que tá preparado, que tinha que arrumar, que que se envolveu que era assim”, contou uma aluna do colégio.

Segundo um professor que pediu anonimato na reportagem, das 7h até as 12h, as crianças ficaram em pé e chegaram a desmaiar.

“Criança passando mal, é crime isso aí, é crime mesmo, é tortura física e psicológica. E já tem alguns pais que não vão querer deixar o aluno ir amanhã, ao colégio, porque eles ficaram assustados”, contou.

Em nota, o Colégio Militar disse que a denúncia não é verdadeira. E que o comando “sempre se pautou pelo bem estar e pela integridade física dos alunos”.


Fonte: G1/BH

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