Justiça pede afastamento de Jair Montes. Mas, e o Lebrão? Filmado recebendo propina

Anúncio

Na manhã deste sábado, 6 de março de 2021, o Ministério Público do Estado de Rondônia e a Policia Civil deflagraram a terceira fase da Operação Aleteia, que investiga fraudes licitatórias envolvendo a aquisição de testes rápidos e outros insumos para a COVID-19 em municípios de Rondônia por meio de emendas parlamentares.

Nessa fase, houve o deferimento, pelo Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, de medidas de buscas e apreensões, em gabinete e residência de um parlamentar estadual, bem como decretado o afastamento do cargo eletivo pelo período de 90 dias, a fim de resguardar o interesse público frente à situação de prática de ilicitudes em contexto gravíssimo como o da pandemia em curso. A investigação também contou com apoio do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, que realizou análise técnica quanto à realização das despesas públicas em menção.

Sem nem imaginar o que estava por vir, o deputado alvo da operação, Jair Montes (AVANTE), gravou um vídeo na noite do dia posterior falando sobre o avanço da COVID-19 no estado e o novo decreto que seria lançado pelo governo do estado flexibilizando algumas atividades, entre elas, o funcionamento das igrejas.

Já no dia seguinte, o deputado é surpreendido com policiais na porta da sua casa e o pedido de afastamento do cargo. Tudo foi de forma rápido, a exposição ao parlamentar, a repercussão e o pedido de afastamento para o cargo. Até aí, tudo bem. Quem somos nós para questionar decisões judiciais. Sou apenas um mero escriba. Mas, na condição de escriba posso questionar algumas medidas que foram tomadas, e na condição de humilde posso cobrar outras.

No final do ano passado a Polícia Federal deflagrou a operação Reciclagem, onde prendeu alguns prefeitos de Rondônia. Entre os prefeitos presos, estava a filha do deputado estadual Lebrão (MDB), a sua pupila a prefeita Lebrinha.

Nos vídeos que foram divulgados em primeira mão pelo Jornal Nacional, prefeitos apareceram recebendo propina de um empresário para liberar dinheiro para pagamentos de contratos. E em um dos vídeos reproduzidos em cadeia nacional, aparece o deputado José Euripedes, “o Lebrão”, recebendo suposta propina.

O gabinete do deputado não foi alvo do mandado de busca e apreensão e nem sequer houve recordação para afastá-lo do cargo, pois a justiça entendeu que o esquema revelado na operação não tem ligação com a atividade parlamentar do referido legislador.

Como que nada acontece com um deputado gravado em flagrante recebendo propina, até o presente momento impune, e com um deputado estadual em exercício parlamentar na destinação de emendas para aquisição de testes da Covid-19 acontece em bem menos tempo. Isso sem contar outras coisas que ocorrerem por ali.

Nenhum momento estamos questionando o trabalho da justiça ou a inocência do deputado. Não, de forma alguma. Isso cabe à justiça avaliar. O que estamos levantando é que a operação aconteceu no momento errado, onde o estado enfrenta uma grave pandemia e o número de mortes diárias ultrapassa 40.

No entanto, um deputado que costuma gravar diariamente vídeos atualizando os números de casos de coronavírus no estado, o funcionamento dos leitos, puxando orelha de quem se aglomera e expondo festas clandestinas, não deveria estar sendo alvo e operação no momento.


Fonte: EuIdeal

Deixe seu Comentário